Os nomes de Otto Quaas e Guilherme Gaensly, por exemplo, surgem regularmente nos registros desse período. Nos anos 20, o mercado em expansão possibilita que alguns profissionais como Ugo Dante Zanella (c.1893-1987) comecem a destacar-se não só em imagens de obras de engenharia, mas também em documentação artística. No arquivo fotográfico sobre as obras de Gregori Warchavchik, atualmente integrando o acervo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo-USP, além de Zanella, encontram-se profissionais como Leon Liberman e José Moscardi (1916), dois dos principais fotógrafos de arquitetura na cidade de São Paulo até os anos 50. Integram ainda este conjunto imagens produzidas por fotógrafos mais conhecidos por trabalhos nos setores de fotografia industrial ou publicitária, como Peter Scheier.
Warchavchik e a fotografia
Gregori Warchavchik passa a atuar diretamente como fotógrafo amador no início dos anos 40. Constroe um laboratório em sua residência, à rua Santa Cruz, dedicando-se ao portrait. Começa a frequentar com alguma regularidade o Foto Cine Clube Bandeirante, enviando fotos para os salões internacionais. Em seus retratos, toma como tema parentes e amigos, registrando intelectuais e artistas próximos à sua família e a do pintor Lasar Segall, seu cunhado.
O interesse pela fotografia acaba levando-o a integrar, junto com nomes como Eduardo Salvatore, Thomas Farkas e Benedito Duarte, a comissão patrocinadora da revista IRIS, a mais antiga revista especializada em circulação no Brasil, fundada em 1947 por Hans Koranyi. A publicação caracterizava-se então por um recorte amplo e atento a assuntos como cinema e artes gráficas.
Warchavchik, no entanto, é mais conhecido atualmente por sua coleção de câmeras fotográficas, exposta em 1996 no evento comemorativo do centenário de nascimento Warchavchik 100 anos, realizado no Centro Cultural São Paulo. Embora a coleção seja de porte médio, a formação em arquitetura deve ter facilitado a organização de um conjunto significativo - em termos de design - de aparelhos produzidos na primeira metade deste século.
O portrait
Para este primeiro número de Páginas Negras foram selecionadas algumas imagens realizadas no início dos anos 50. Amador de sólida cultura visual dedica-se a um trabalho cuidadoso em iluminação e na relação entre fotógrafo e retratado. Como usual no período, embora possuindo um laboratório na residência da rua Santa Cruz, Warchavchik utiliza os serviços de laboratoristas comerciais que ali trabalham. Além de registrar amigos e parentes como nestas imagens de Marjorie Prado e do casal Bardi, convida também pessoas que conhece no dia-a-dia para posar.
Um conjunto significativo de sua produção
sobreviveu, formado em sua quase totalidade por negativos de formato médio
(9 x 12 cm), que necessitam de tratamento para preservação.
As imagens apresentadas conservam as marcas de deterioração.
Em meados dos anos 50, a dedicação à
fotografia diminui gradativamente, quando deixa de participar
de salões fotográficos. O conjunto de imagens remanescentes
merece ainda uma análise atenta, o que permitirá
certamente recuperar seu trabalho em portrait e contribuir
para a compreensão do papel representado pelos fotógrafos
amadores na disseminação da cultura fotográfica
no contexto paulistano.
Ricardo Mendes
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