Esta é a apresentação do projeto de preservação dos negativos originais da documentação realizada pelo fotógrafo norte-americano Dana Merrill entre 1909 e 1910 na Amazônia, registrando a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

    Cópias dessas imagens integram o acervo do MIS-SP desde 1982, onde tem sido expostas, destacando-se em 1993 a mostra Estrada de Ferro Madeira-Mamoré: uma aventura fotográfica, que apresentou paralelamente fotos produzidas nos anos 70 por Marcos Santilli.

    Trem - visitantes Autoridades brasileiras visitam trecho da ferrovia




    A Coleção de Fotografias Estrada de Ferro Madeira-Mamoré de Dana Merrill (1912)


    O objetivo central deste projeto é preservar a memória e a história da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. A coleção de 189 negativos de vidro de autoria do fotógrafo americano, no início do século, Dana Merril pertence ao engenheiro e historiador Manoel Rodrigues Ferreira, que aprovou pela Lei Rouanet um projeto no valor de R$ 50 mil reais para a conservação desses negativos a ser realizada pelo Museu Paulista da Universidade de São Paulo.

    O projeto prevê a criação de outros produtos culturais, entre eles: uma exposição, um livro, um CD-Rom e principalmente mobilizar a opinião pública para as questões que envolvem a ocupação tecnológica da Floresta Amazônica.

    A construção desta ferrovia remete a acontecimentos da virada dos séculos XIX/XX, como expansão territorial do Brasil - nos limites Acre -Mato-Grosso/Bolívia - e o avanço tecnológico da época, materializado pelas grandes obras da engenharia civil, e a sua importância na estruturação do espaço em escala local e continental.

    Antes de sua conclusão, a ferrovia passou por duas tentativas de construção. A primeira delas foi feita pela firma inglesa Public Works entre os anos de 1872 e 1873. Vieram depois os norte-americanos da P.T. Collins, entre 1877 e 1879. Em ambas oportunidades, as dificuldades na captação de recursos, aliadas à falta de experiência anterior em trabalhos que se assemelhassem às situações de dificuldade da região amazônica, somadas ainda a problemas gerais de gestão e planejamento, levaram as empreitadas dessas companhias ao fracasso.


    O grande impulso para a sua conclusão veio com a assinatura do Tratado de Petrópolis, em 1903. Pelo acordo firmado, Brasil e Bolívia resolviam os conflitos gerados pela ocupação, por parte de seringueiros brasileiros, das terras bolivianas que vieram a constituir o atual estado do Acre. Em seus termos ficava estabelecido que o território ocupado passava definitivamente para o domínio do Brasil e que o ressarcimento à Bolívia se daria com a viabilização de seu acesso ao Atlântico, materializado na construção, sob responsabilidade brasileira, da estrada de ferro.

    A conclusão da obra só foi possível através do regime de trabalho imposto pelos vencedores finais da concorrência pela construção, a também norte-americana May, Jekyll & Randolph. Este regime se baseava na utilização intensiva de mão-de-obra, que era arregimentada pelo mundo todo, somada às experiências da empresa, que construira ferrovias em Cuba e na Guatemala. Acredita-se que, entre 1907 e 1912, ano do início de sua operação comercial, cerca de trinta mil trabalhadores, compreendendo as mais variadas etnias e línguas faladas, passaram pela obra da estrada de ferro. Destes, perto de seis mil pereceram no local.


    Em outros termos, trata-se de um momento da modernidade expresso na introdução de tecnologia na selva amazônica e na ocupação de um espaço povoado por índios, postos em contato com trabalhadores braçais originários de todos os quadrantes. Estes são temas que mantêm sua atualidade e devem ser discutidos num projeto cultural que abranja diversas mídias.



    Coordenadores:
    Silvia Maria do Espírito Santo
    socióloga. Mestranda, Ação Cultural ECA/USP

    Pedro Ribeiro
    arquiteto, fotógrafo. FFLCH/USP





    Porto Velho - Serraria
    Serraria em Porto Velho

    Obras

        
    Arvore derrubada
    Árvore derrubada ao longo do trajeto



    Trabalhadoras de lavanderia
    Trabalhadoras da lavanderia, originárias de Barbados,
    em Porto Velho

    Quadras de tenis
    Quadras de tênis
















    linha
    Agradecimentos


    FotoPlus agradece aos autores pela cessão do material para esta edição do boletim Páginas Negras.
        
    Trabalhador estrangeiro
    Trabalhador estrangeiro














































    Volta para o topo da pagina
    Página criada por Ricardo Mendes
    12.09.1998 - criação
    12.09.1998 - atualização
    Visite Fotoplus