{"id":530,"date":"2020-07-01T05:46:49","date_gmt":"2020-07-01T05:46:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.fotoplus.com\/duas\/?p=530"},"modified":"2020-07-01T19:23:13","modified_gmt":"2020-07-01T19:23:13","slug":"fotografia-falada-conversando-cara-a-cara-em-tempos-pandemicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.fotoplus.com\/duas\/?p=530","title":{"rendered":"Fotografia falada: conversando cara a cara em tempos pand\u00eamicos"},"content":{"rendered":"\n<p><strong> FotoPlus #50 \u2013 Junho 202<\/strong>0   <\/p>\n\n\n\n<p><strong>A seu modo, o fen\u00f4meno foi percebido por todos.<\/strong> Sinais ocorreram aqui e ali, persistentes; tra\u00e7o distintivo de grandes modifica\u00e7\u00f5es que surgem como constata\u00e7\u00e3o consciensiosa. Consequ\u00eancia direta do isolamento social na tentativa de controle da pandemia, havia uma demanda pela conversa\u00e7\u00e3o. Os meios estavam ali em uma diversidade de formas e possibilidades. E, surpresa, os servi\u00e7os de internet, de modo geral, responderam melhor \u00e0 demanda do que a estrutura m\u00e9dica brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Este relato \u00e9 um balan\u00e7o provis\u00f3rio dessa\nexperi\u00eancia no campo da fotografia no Brasil entre o final de abril e maio de\n2020. Um relato de campo que procura delinear aspectos iniciais dessa\ntend\u00eancia, a partir do impacto sobre o projeto documental FotoPlus. Segue assim\nantes como depoimento do que uma investiga\u00e7\u00e3o em profundidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A fala, a conversa\u00e7\u00e3o, certamente, foi\nestimulada por um canal de grande uso no Brasil, o Whatsapp, em seus grupos, de\ntem\u00e1ticas as mais diversas. Grupos de fot\u00f3grafos e agentes culturais,\nformalmente constitu\u00eddos ou n\u00e3o, que acabaram estabelecendo um ch\u00e3o comum para\nas a\u00e7\u00f5es em an\u00e1lise. Quase certo, esse contexto inicial est\u00e1 interligado a\nservi\u00e7os similares como Telegram e \u00e0s redes sociais de modo geral. Fica em\naberto por enquanto o papel de outro ve\u00edculo como os podcasts, mas aqui surge\num tra\u00e7o distintivo: a fotografia falada entendida como uma conversa cara a\ncara, em que o contato facial \u00e9 aspecto distintivo. Fala e imagem, olho no\nolho, conversa torta, imagem prec\u00e1ria, conex\u00f5es as vezes inst\u00e1veis (em contraponto\nao Zoom ou outras plataformas alternativas com StreamYard, com recursos de\ncompartilhamentos de arquivos e telas), s\u00e3o tra\u00e7os que tem uma certa\ncentralidade nesse fen\u00f4meno.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Antes, os n\u00fameros da internet<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Qualquer avali\u00e7\u00e3o exige uma refer\u00eancia, marcos\niniciais. \u00c9 poss\u00edvel, por exemplo, de forma improvisada, a qualquer um estabelecer\num ranking. Quais s\u00e3o os perfis no Instagram, rede social de maior destaque\nentre n\u00f3s nos anos recentes, com mais seguidores? Essa pergunta pode ser\nrespondida, ainda que isso sempre dependa das rea\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es dos seguidores e\no impacto sobre o \u201calgoritmo\u201d da contemporaneidade. Todos os n\u00fameros indicados\ntomam como refer\u00eancia o dia 21.06.2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Comecemos, para n\u00e3o esquecermos da <strong>fala <\/strong>como interesse principal, pelo perfil do podcast <strong>Papo de Fot\u00f3grafo<\/strong> \u2013 \u201cO podcast de fotografia mais divertido do Brasil\u201d como indica, que se apresenta como principal do setor: 56,5 mil seguidores. Vamos manter aqui essa unidade \u2013 milhares de.. e n\u00e3o empregar o indicador usual \u201cK\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as institui\u00e7\u00f5es e empresas do setor &nbsp;cultural atuantes em fotografia, os n\u00fameros est\u00e3o em faixa superior: <strong>Instituto Moreira Salles<\/strong> \u2013 189 mil \u2013 e o <strong>Ita\u00fa Cultural<\/strong> \u2013 210 mil. No entanto, \u00e9 bom lembrar que ambos atuam em campo ampliado, da literatura ao cinema, por exemplo. Vale ent\u00e3o checar o <strong>Museu da Fotografia Fortaleza<\/strong>, com 39 mil seguidores. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como refer\u00eancia \u00e0s grandes institui\u00e7\u00f5es culturais, por exemplo, <strong>MASP<\/strong>, <strong>Instituto Inhotim<\/strong>, <strong>MAM<\/strong> S\u00e3o Paulo e <strong>MAM Rio<\/strong> respondem respectivamente por 513, 320, 184 e 64 mil seguidores. Nesse contexto, o desempenho do <strong>Papo de Fot\u00f3grafo<\/strong> \u00e9 significativo. Numa avalia\u00e7\u00e3o pessoal, fico surpreso que a impressa especializada tenha desempenho inferior. Assim, <strong>Fhoxonline <\/strong>com 23 mil seguidores ou a revista <strong>Fotografe melhor<\/strong>, 18,9 mil, n\u00e3o constituem patamar mais relevante. Aqui, \u00e9 a revista <strong>Zum<\/strong>, editada pelo IMS, o perfil em destaque com 32,6 mil seguidores.<\/p>\n\n\n\n<p>Os perfis de fot\u00f3grafos, autores de maior destaque, apresentam n\u00fameros mais expressivos. Nomes de uma gera\u00e7\u00e3o mais velha como <strong>Bob Wolfenson<\/strong> e <strong>J. R. Duran<\/strong> registram 176 mil e 113 mil seguidores, respectivamente. S\u00e3o autores com presen\u00e7a distinta, e talvez, Duran no Twitter, com 148 mil seguidores, seja um perfil mais ativo, contudo como comentarista humorado sobre o cotidiano pol\u00edtico brasileiro.  Ainda assim <strong>Clicio Barroso<\/strong>, com 13,9 mil seguidores no Twitter, domina o peda\u00e7o, em din\u00e2mica pr\u00f3xima (13,8 mil no Instagram). <\/p>\n\n\n\n<p>Outros autores, da mesma gera\u00e7\u00e3o, como <strong>Cristiano Mascaro<\/strong> e <strong>M\u00e1rcio Scavone<\/strong>, t\u00eam patamares &nbsp;&#8211; bem distantes \u2013 mas similares com 7.765 e 9.835 seguidores. Seria oportuno checar outros agentes, como o curador e fot\u00f3grafo <strong>Eder Chiodetto <\/strong>com 15 mil seguidores ou o fot\u00f3grafo <strong>Claudio Edinger<\/strong> com 27 mil. <strong>Vik Muniz<\/strong> \u00e9 exce\u00e7\u00e3o, com 254,4 mil seguidores, mas seu perfil \u00e9 ecl\u00e9tico, orientado mais pela descoberta visual e \u201cgastron\u00f4mica\u201d. Ah, em tempo, &nbsp;<strong>Sebasti\u00e3o Salgado<\/strong> \u00e9 nome recente, desde o in\u00edcio de maio, com 89,9 mil seguidores, mas essa presen\u00e7a foi causada por sua campanha de prote\u00e7\u00e3o aos povos ind\u00edgenas (em tempo, <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"assine (abre em uma nova aba)\" href=\"https:\/\/l.instagram.com\/?u=http%3A%2F%2Fbit.ly%2Findigenas_2020&amp;e=ATPtaIxQMlm0AeiW78OFneNJooQnTjOqFrRTMe8LMtqiFwJ4_Ckw_ta7-F0KJTnIhvMp3wQ6HvftQrjsSoCDCQ&amp;s=1\" target=\"_blank\">assine<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>Projetos de grande centralidade na difus\u00e3o da imagem como os festivais, que se espalham de Norte a Sul, tem  presen\u00e7a no Instagram bem heterog\u00eanea. <strong>FotoRio<\/strong>, por exemplo, tem 2.139 seguidores. <strong>Foto em Pauta<\/strong>, como veremos adiante, tem maior presen\u00e7a, com 14,1 mil seguidores, como tamb\u00e9m <strong>Paraty em Foco<\/strong>, com 10,5 mil seguidores, ou <strong>Valongo Festival<\/strong>, com 12 mil. &nbsp;A baixa presen\u00e7a no Instagram \u00e9 aparentemente tra\u00e7o regular no setor, seja para <strong>FestFoto <\/strong>ou <strong>Festival de Fotografia de Paranapiacaba<\/strong>, velhos ou novos agentes. Isso indica, por\u00e9m, apenas uma resposta lenta \u00e0s din\u00e2micas das redes sociais. Em sua totalidade, um balan\u00e7o documental indicaria que em grande parte os festivais t\u00eam presen\u00e7a na internet de modo irregular, com pouca abrang\u00eancia sobre a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o em perspectiva hist\u00f3rica, o que surpreende frente ao protagonismo que apresentam (e reivindicam) na difus\u00e3o e debate no panorama da fotografia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos est\u00e3o bem longe de nomes com abrang\u00eancia internacional como o jogador <strong>Neymar<\/strong>, entre os grandes players internacionais, com 139 milh\u00f5es de f\u00e3s. Est\u00e3o tamb\u00e9m bem distantes de um fen\u00f4meno pouco conhecido da fotografia brasileira. O jovem <strong>Gilmar Silva<\/strong>, a partir de Cascavel, na regi\u00e3o metropolitana de Fortaleza, aos 27 anos, a seis atuando na \u00e1rea, tem 1 milh\u00e3o de seguidores no perfil <strong>gilmarphotos<\/strong>. Sinal, talvez como a dica dada pelo Papo de Fot\u00f3grafo parece revelar, de que humor seja um tra\u00e7o importante nas conversas das redes. Suas postagens di\u00e1rias oferecem orienta\u00e7\u00f5es para fot\u00f3grafos, sugest\u00f5es para pose, ilumina\u00e7\u00e3o&#8230; , sempre marcadas pelo humor, quase nonsense. H\u00e1 muito a ser descoberto assim na presen\u00e7a da fotografia nas redes sociais,  em setores espec\u00edficos, \u00e0s vezes mesclando campos como no caso de \u201c<strong>Lucas Lapa<\/strong>\u201d (lucaslapaphotopro), como distribuidor comercial, com 165 mil seguidores, que mereceriam an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p>Se uma pesquisa informal, que qualquer um pode fazer no Instagram, apresenta esse panorama, \u00e9 oportuno dar uma olhada em portais de an\u00e1lise do segmento. Mas, primeiro, \u00e9 preciso desvendar qual o universo geral de que estamos falando. Portais especializados, como <strong><a href=\"http:\/\/datareportal.com\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"DataReportal (abre em uma nova aba)\">DataReportal<\/a><\/strong>, s\u00e3o ferramentas impressionantes, numa primeira aprecia\u00e7\u00e3o, e valem a visita. Trazem mais do que meros dados brutos, mas interpola\u00e7\u00f5es com perfis sociais, acessos a meios etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme dados do portal <strong>DataReportal<\/strong>, em janeiro de 2020 (j\u00e1 dispon\u00edveis dados de fevereiro &#8211;<a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"https:\/\/datareportal.com\/reports\/digital-2020-brazil (abre em uma nova aba)\" href=\"https:\/\/datareportal.com\/reports\/digital-2020-brazil\" target=\"_blank\">https:\/\/datareportal.com\/reports\/digital-2020-brazil<\/a>), para uma popula\u00e7\u00e3o de 211 milh\u00f5es de brasileiros, 150,4 milh\u00f5es s\u00e3o usu\u00e1rios da internet, sendo 140 milh\u00f5es usu\u00e1rios ativos em redes sociais. Enfim, um n\u00famero para refletir. O Instagram \u201cera\u201d ent\u00e3o a quarta plataforma mais usada, ap\u00f3s, na ordem decrescente, You Tube, Facebook e Whatsapp. O total de usu\u00e1rios Instagram \u2013 77,0 milh\u00f5es &#8211; correspondem a 44% da popula\u00e7\u00e3o com mais de 13 anos, sendo composto por 40,8% de p\u00fablico masculino.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O portal <strong><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Hypeauditor  (abre em uma nova aba)\" href=\"https:\/\/hypeauditor.com\/\" target=\"_blank\">Hypeauditor<\/a><\/strong><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Hypeauditor  (abre em uma nova aba)\" href=\"https:\/\/hypeauditor.com\/\" target=\"_blank\"> <\/a>\u00e9 outra ferramenta \u00fatil e complexa para um estudo espec\u00edfico com n\u00fameros atualizados em tempo real. E, mais do que totais, inclui \u00edndices como engajamento de seguidores (ER), com <em>likes<\/em> etc.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Entre as 50 posi\u00e7\u00f5es tops do Instagram para o Brasil em junho, destacam-se perfis como &nbsp;os das c\u00e2meras <strong>gopro<\/strong> com 1,3 milh\u00e3o de seguidores no pa\u00eds, de um total de 17,2 milh\u00f5es em escala mundial. <strong>GilmarPhotos<\/strong> n\u00e3o est\u00e1 \u201ct\u00e3o mail\u201d assim! A NASA, claro, \u00e9 campe\u00e3 com 4,6 milh\u00f5es de seguidores, parte do universo de 59,3 milh\u00f5es em escala global, &nbsp;Aqui, perfis como IMS, Bob Wolfenson e J. R. Duran podem ser perfilados agora quanto ao engajamento de usu\u00e1rios, que varia entre 0,17% do total para o IMS a um campe\u00e3o 1,63% para Bob Wolfenson, seguido por 0,31% para os seguidores de Duran.<\/p>\n\n\n\n<p>No quadro geral do <strong>top 100 do Instagram<\/strong>, depois de separarmos \u2013 entre os classificados em \u201cphotography\u201d (categoria em si problem\u00e1tica) &#8211; os atores e modelos, bem como os perfis de lifestyle e m\u00fasica \u2013 ufa!, quantos! \u2013 ficamos ainda com NASA e National Geographic em destaque. A velha revista na verdade desdobra-se entre natgeotravel (com 1,3 milh\u00e3o de seguidores brasileiros para um total de 39,1 no mundo), natgeoadventure e natgeointhefied. As imagens espaciais est\u00e3o divididas entre mais perfis, al\u00e9m da NASA, como NasaHubble e ISS, para International Space Station. Sim, ainda resta o GoPro. <strong>Mario Testino<\/strong> \u00e9 o fot\u00f3grafo que aparece em destaque, uma surpresa digamos, com 511,6mil seguidores brasileiros do total de 4 milh\u00f5es em escala global.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>GilmarPhotos<\/strong> surge agora com dados mais claros, com 1,1\nmilh\u00e3o de seguidores e engajamento dos usu\u00e1rios em 2,89%. No rank Brasil, Gilma\u2019Silva\nFotografia est\u00e1 na posi\u00e7\u00e3o 2.482 e no rank global em 15.795. Na categoria \u201cphotography\nin Brazil\u201d (em sua diversidade), Gilmar est\u00e1 muito bem na posi\u00e7\u00e3o 68. O portal\ntraz dados adicionais. Gilmar como \u201cMister GSP\u201d tem meros 56,2 mil seguidores\nno You Tube, com apenas 23 v\u00eddeos, sinal claro de perfis de gera\u00e7\u00f5es mais\nnovas. No TikTok, contudo, GSP surge com 345,4 mil seguidores, com excepcional\ncrescimento de 36% em 30 dias \u2013 \u201cexccelent&#8221; nas palavras do portal, com 5\nposts por semana (\u201cgood\u201d) e, imagine, um engajamento (ER) de 17,1% (classificado,\npor\u00e9m, como mero \u201cgood\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Primeira fase: a pandemia: mar\u00e7o de 2020<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As primeiras semanas, marcadas pelo impacto da quarentena e \u201ctomada de consci\u00eancia\u201d passo a passo frente \u00e0s suspens\u00f5es e cancelamentos que se impunham, foram marcadas na perspectiva do fen\u00f4meno em an\u00e1lise por uma dispers\u00e3o. Para uma primeira avalia\u00e7\u00e3o do impacto geral sobre o quadro da produ\u00e7\u00e3o, difus\u00e3o e debate da fotografia no Brasil durante a quarentena, \u00e9 poss\u00edvel sugerir a consulta \u00e0 base de eventos <a href=\"http:\/\/www.fotoplus.com\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"FotoPlus (abre em uma nova aba)\">FotoPlus<\/a>, atrav\u00e9s, de forma simples, do termo de busca \u201cpandemia\u201d para um levantamento inicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 uma resposta mais \u00e1gil ao isolamento foram presen\u00e7as j\u00e1 estabelecidas nas redes que se destacam, como digamos o \u201cYou tuber\u201d carioca <strong>Renato Rocha Miranda<\/strong>. Fot\u00f3grafo por anos da Rede Globo,&nbsp; h\u00e1 alguns anos desenvolve sua produ\u00e7\u00e3o no You Tube, voltada ao ensino, ao marketing etc. A partir de 2 de abril &nbsp;Rocha Miranda produziu lives di\u00e1rias, no You Tube, Instagram e Facebook, no projeto COMVIDA.<\/p>\n\n\n\n<p>Empreendores diversos, que tiveram grandes eventos suspensos como feiras, semin\u00e1rios etc, em especial para segmentos de reportagem social, casamento, por exemplo, foram outros agentes relevantes. Assim, o recurso a canais das redes sociais, j\u00e1 usuais, ganharam dinamismo &nbsp;nos casos do <strong>Grupo Fhox<\/strong> ou <strong>Wedding Brasil<\/strong>. Os coordenadores da revista <em>Fhox<\/em>, por exemplo, estabeleceram a <em>Semana de Apoio e Suporte na Fotografia<\/em>, tamb\u00e9m em lives di\u00e1rias, aqui pelo Instagram, ainda em andamento. O mesmo fizeram os organizadores do Wedding Brasil 2020, programado para 28 de abril, que, al\u00e9m das lives di\u00e1rias, criaram uma vers\u00e3o online do evento \u2013 <em>At home<\/em> (28 a 30 de abril).<\/p>\n\n\n\n<p>De forma geral, essas a\u00e7\u00f5es partilhavam de circunst\u00e2ncias como impacto em eventos programados e a experi\u00eancia audiovisual nas redes, quase sempre voltada ao campo de ensino. Talvez, em parte, essas mesmas condi\u00e7\u00f5es justifiquem o desempenho seguinte apresentado pelo <em>Foto em Pauta<\/em> (MG), ap\u00f3s a suspens\u00e3o imediata nos dias iniciais da montagem do <em>10\u00ba Festival de Fotografia de Tiradentes<\/em>, com abertura programada para 18 de mar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>A mesma ruptura ocorreu no mercado de arte, parte privilegiada do mercado de bens de luxo, assombrado pela interrup\u00e7\u00e3o do circuito internacional de feiras, um dos pilares de sustenta\u00e7\u00e3o das grandes galerias brasileiras, e, finalmente, o cancelamento da edi\u00e7\u00e3o 2020 da <em>SP-Arte<\/em>, programada para 1 a 5 de abril. Os desdobramentos no mercado e no sistema das artes visuais demandar\u00e3o estudos por longo per\u00edodo. Embora fuja do recorte desse ensaio, registre-se o conjunto disperso de a\u00e7\u00f5es iniciais. Algumas galerias como a <strong>Zipper <\/strong>(SP) apresentaram de imediato visitas virtuais em sistema de vis\u00e3o 360 graus. O recurso, j\u00e1 conhecido, mas demandando investimento, n\u00e3o se espalhou. Curiosamente, as visitas virtuais nos meses seguintes ganharam a forma curiosa de p\u00e1ginas convencionais em HTML.<\/p>\n\n\n\n<p>Abril, no casos dos agentes mencionados, ser\u00e1 marcado por a\u00e7\u00f5es com uso de lives para entrevistas, conversas etc, e visitas online a ateli\u00eas. O MAM S\u00e3o Paulo \u00e9 um exemplo dessas visitas, pr\u00e1tica corrente em v\u00e1rias galerias locais como a Millan, por exemplo. Solu\u00e7\u00f5es nesse segmento surgem em formas diversas. Como o projeto <em>Artista fala com artista\u00b8 <\/em>iniciado j\u00e1 em meados de mar\u00e7o pela pequena <strong>Bianca Boeckel Galeria<\/strong>, cujos artistas representados comentavam obras dos demais participantes do grupo.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>O mercado de arte local, apenas para registro, procurou estabelecer formas de apoiar artistas representados criando a\u00e7\u00f5es de venda a menor custo como o projeto <em>Partilha<\/em>, e, nos meses seguintes, testar formas online, \u00e0 exemplo do mercado externo, como a feira <em>not cancelled, <\/em>entre 10 de junho e 8 de julho, atrav\u00e9s de plataforma internacional. Grupos de artistas visuais por seu lado procuraram reimaginar \u201cum modelo econ\u00f4mico para as artes\u201d como o <strong>Projeto Quarantine<\/strong>. E de forma geral, restou aos servi\u00e7os educativos dos museus pensar a cada semana novas formas de estabelecer din\u00e2micas com os p\u00fablicos online, experi\u00eancia que seria oportuna para pensar a m\u00e9dio prazo um protagonismo mais revelante para estes setores no planejamento institucional.<\/p>\n\n\n\n<p>No que interessa aqui, \u00e9 relevante como surgem\nprojetos de <strong>conversa\u00e7\u00e3o, <\/strong>de lives, por essas galerias (afinal, os museus\ne institui\u00e7\u00f5es foram pouco consistentes nessa resposta). Destaquem-se programas\nestruturados como aquele promovido pela <strong>Galeria Superf\u00edcie<\/strong> (SP), com sua\nprograma\u00e7\u00e3o <em>Ao vivo com\u00b8<\/em> iniciada em 24 de mar\u00e7o, com duplas de artistas\nconvidados. Ou, no quadro carioca, a <strong>Mul.ti.plo<\/strong><em>, <\/em>com <em>Conversa\ncom artista, <\/em>trazendo o cr\u00edtico Paulo S\u00e9rgio Duarte, em seus canais no Instagram\ne no You Tube, com v\u00eddeos diversos. Semanas depois, no in\u00edcio de abril, \u00e9 a vez\nda <strong>Galeria Lume<\/strong>, com o projeto <em>Conversa com artista<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Segunda fase: abril: de norte a sul<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Abril trouxe um panorama de din\u00e2mica intensa e dispersiva. O formato live, via Instagram de in\u00edcio, tem o protagonismo. <\/p>\n\n\n\n<p>O circuito de fotografia social, impactado pela suspens\u00e3o de eventos, parece ganhar visibilidade \u201cnos algoritmos\u201d. Com pr\u00e1tica estabelecida no uso das redes para divulga\u00e7\u00e3o de curso, como parte da dupla fonte de renda \u2013 cobertura de evento e oferta de workshops, os profissionais parecem investir nas lives em formas diversas tanto leituras de portf\u00f3lios quanto cursos online, em geral em canais mais tradicionais como You Tube  (por exemplo, entre tantos, <strong>Camila Vedoveto<\/strong>, em Primavera do Lestes, MS).&nbsp; A cobertura realizada pelo projeto documental <em>Fotoplus<\/em> parece indicar, por\u00e9m, grande presen\u00e7a de profissionais do Rio Grande do Sul, mercado significativo, com eventos regionais, que foram suspensos.<\/p>\n\n\n\n<p>O circuito cultural, apenas em segundo momento,\nparece descobrir a ferramenta. Come\u00e7am a pipocar a\u00e7\u00f5es, com grande destaque\npara a regi\u00e3o Nordeste, muito antes, e de forma variada, que no Sudeste. <\/p>\n\n\n\n<p>De certa forma, o per\u00edodo pode marcar a \u00faltima virada do Instagram sobre a presen\u00e7a do Facebook como meio de difus\u00e3o no panorama da fotografia no Brasil.&nbsp; A cada dia tornava-se gradualmente dif\u00edcil registrar os eventos, pois era necess\u00e1rio driblar o algoritmo para manter uma cobertura extensa.<\/p>\n\n\n\n<p>Seria importante registrar que em abril destacam-se mais iniciativas individuais, de jovens fot\u00f3grafos ou pesquisadores, que promovem, a seu jeito, longas s\u00e9ries de lives, trazendo suas refer\u00eancias locais. Um exemplo, em Fortaleza, para <em>Rastros Perif\u00e9ricos, <\/em>de<strong> Stephanie Nojosa<\/strong>, ativa diariamente entre mar\u00e7o e abril. Ou, no sul, em Porto Alegre, tamb\u00e9m como iniciativa individual, a s\u00e9rie <em>Pega na vis\u00e3o<\/em>, de <strong>Emmanuel Denaui<\/strong>. O modelo, nesses casos, parece se caracterizar pela produ\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, di\u00e1ria, quase um balan\u00e7o de comunidades de profissionais. Quase previs\u00edvel, muitas iniciativas similares, acabam esgotando-se com o esfor\u00e7o intensivo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer forma, \u00e9 poss\u00edvel especular que essas a\u00e7\u00f5es e sua difus\u00e3o pelas redes constitu\u00edram em si um catalisador. Efeito em que profissionais, com a\u00e7\u00f5es anteriores nos segmentos de ensino e difus\u00e3o, parecem ter se inspirado e procurado ent\u00e3o ocupar espa\u00e7o (perdido).<\/p>\n\n\n\n<p>Necess\u00e1rio lembrar que surpreendentemente os servi\u00e7os de acesso a internet, de um modo ou outro, funcionaram. Em raros casos, com a crescente explos\u00e3o de lives em hor\u00e1rios concentrados, geraram suspens\u00e3o ou adiamento de programas procurando driblar problemas de conex\u00e3o e de dispers\u00e3o de p\u00fablicos. De modo secund\u00e1rio, parece ter ficado flagrante que usu\u00e1rios dos sistemas Android e IOS tinham interfaces Instagram com recursos distintos, como neste \u00faltimo a possibilidade de inser\u00e7\u00e3o de fotos.<\/p>\n\n\n\n<p>Importante registrar que at\u00e9 esse momento essa produ\u00e7\u00e3o de conversas via lives acabou constituindo um conjunto ef\u00eamero, pois a plataforma Instagram apenas preservava os v\u00eddeos por 24 horas. O acesso ao servi\u00e7o IGTV, com armazenamento de v\u00eddeos, torna-se de uso regular apenas em maio. Esse aspecto, bem como a precariedade de produ\u00e7\u00e3o das lives via Instagram acabaram dando espa\u00e7o crescente a outros sistemas como a plataforma Zoom, sem conex\u00e3o por\u00e9m com as redes sociais. Contudo, outras solu\u00e7\u00f5es ter\u00e3o lugar com servi\u00e7os de streaming com acesso simult\u00e2neo aos Facebook e You Tube, como StreamYard, que ser\u00e1 adotado, por exemplo, pelo evento <strong>FotoSururu <\/strong>(Macei\u00f3)<em>. <\/em>Esta solu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 um dos aspectos que caracterizar\u00e1 a nova fase do fen\u00f4meno das lives, trocando um meio \u201cquente\u201d por sua imediatez e precariedade como o Instagram, por meios mais formais, controlados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Terceira fase: maio: normatiza\u00e7\u00e3o em andamento\n?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Maio poderia ser caracterizado por duas din\u00e2micas, de naturezas distintas. Por um lado, uma explosiva resposta da comunidade fotogr\u00e1fica, de norte a sul, que desenvolve, desde final de abril, campanhas de vendas de imagem com renda dirigida \u00e0s mais diversas entidades de apoio a grupos em situa\u00e7\u00e3o de risco. Entre elas: <em>150 fotos para S\u00e3o Paulo<\/em>, <em>Art Challenge cestou<\/em>, <em>20&#215;20 Galeria Solid\u00e1ria de Fotografia<\/em>, <em>POA 150 fotos<\/em>, <em>Fot\u00f3grafos por Minas<\/em>, <em>Fotografias pelo Cear\u00e1<\/em> e o projeto <em>Quarentena Books.\u00a0<\/em>Por outro lado, as lives, em algumas dessas iniciativas, t\u00eam papel significativo. Em algumas, de forma muito din\u00e2mica, \u00e0s dezenas; em outras, de forma mais estruturada.<\/p>\n\n\n\n<p>Maio \u00e9 marcado &nbsp;tamb\u00e9m pela presen\u00e7a de programa\u00e7\u00f5es por parte de agentes com presen\u00e7a pr\u00e9via no segmento de educa\u00e7\u00e3o e cultura. Destacam-se assim, al\u00e9m de projetos de festivais regionais como <strong>FotoSururu<\/strong>, a\u00e7\u00f5es de coletivos como <em>a <\/em>s\u00e9rie <em>Nitro ao vivo<\/em>, do coletivo mineiro <strong>NitroImagens<\/strong>, ou institui\u00e7\u00f5es como <strong>Casa da Photographia<\/strong>(Salvador), <strong>Ateli\u00ea Oriente<\/strong> (RJ), <strong>Circulo.da.Imagem<\/strong> (Natal), este \u00faltimo intensamente ativo desde abril. Alguns autores mantiveram-se em a\u00e7\u00e3o desde est\u00e3o, como a <strong>Escola Baiana de Fotografia<\/strong>, em sua pr\u00e1tica marcada pelo uso de sess\u00f5es de longa dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Festivais de porte como<strong><em> <\/em><\/strong><strong>Foto em Pauta<em> <\/em><\/strong>apresentam ent\u00e3o presen\u00e7a crescente e mais articulada entre canais Facebook e You Tube, ou, em escala menor, o <strong>Festival de Fotografia de Paranapiacaba<\/strong>, a partir de 15 de maio, que igualmente teve de repensar sua edi\u00e7\u00e3o, marcada por um programa orientado para os temas do meio ambiente e dos protagonismos feminino e negro na fotografia.<\/p>\n\n\n\n<p>Seria relevante\nlembrar nesse panorama sobre a \u201cfotografia falada\u201d, enquanto conversa face a\nface, que o modelo discursivo baseado no formato palestra, embora n\u00e3o dominante,\napresentou ocorr\u00eancias que merecem aten\u00e7\u00e3o. Um exemplo \u00e9 a programa\u00e7\u00e3o semanal\ndo paulistano <strong>Marcelo Greco<\/strong>. Em parte, um desdobramento de sua pr\u00e1tica\ncomo tutor, coordenador de grupos de estudos, os encontros acabaram por constituir\num rico repert\u00f3rio sobre as refer\u00eancias pessoais, em especial autores de\nfotolivros japoneses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Junho, novamente, e\nal\u00e9m<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O uso crescente das lives, em diversos canais, agora de forma mais estruturada, n\u00e3o conseguiu at\u00e9 agora driblar a dispers\u00e3o de p\u00fablicos. Um tra\u00e7o comum, o da crescente participa\u00e7\u00e3o de convidados, regularmente circulando em um \u201ccircuito\u201d nacional entre nordeste e sudeste, acabou provavelmente por agravar a disputa por audi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto do fen\u00f4meno sobre um projeto documental dedicado \u00e0 fotografia no Brasil, como FotoPlus, ocorreu em desdobramentos. Numa fase inicial, em mapear e driblar, se poss\u00edvel, os algoritmos, e no caso, registrar as lives, via captura de telas. Numa segunda fase, em garantir abrang\u00eancia da cobertura, em detrimento da profundidade, procurando antes caracterizar tend\u00eancias e distribui\u00e7\u00e3o regional. A difus\u00e3o do servi\u00e7o IGTV garantiu alguma perman\u00eancia desses eventos. Assim os registros em FotoPlus trazem os links dispon\u00edveis, ainda que do ponto de vista de perman\u00eancia n\u00e3o possam ser caracterizados como est\u00e1veis. A pandemia, a seu modo, foi a forma de impor ao projeto uma aten\u00e7\u00e3o mais regular a esse g\u00eanero de produ\u00e7\u00e3o visual, at\u00e9 ent\u00e3o considerado como vol\u00e1teis.<br><br>Mas, encerrando, sobre o qu\u00ea tanto se fala ao longo dessas conversas? AInda que de in\u00edcio a pandemia e os desdobramentos sobre a pr\u00e1tica profissional surjam em primeiro plano, trata-se de certo modo de uma apresenta\u00e7\u00e3o. Em muitos casos, embora os convidados sejam part\u00edcipes de seus grupos, entram em cena como refer\u00eancias conhecidas. Falam de si, como profissionais, como em uma terapia tamb\u00e9m. Quase certo falam como se pela primeira vez estivesse em quest\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o de uma grande conversa, um momento novo na cultura.<br><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um depoimento, como balan\u00e7o inicial, sobre impactos da pandemia do Coronav\u00edrus (2020) nas din\u00e2micas do debate e da difus\u00e3o da cultura fotogr\u00e1fica no Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[58,55],"tags":[45,56,57,48],"class_list":["post-530","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura-fotografica","category-redes-sociais","tag-fotografia-brasil","tag-instagram","tag-lives","tag-pandemia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.fotoplus.com\/duas\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/530","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.fotoplus.com\/duas\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.fotoplus.com\/duas\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.fotoplus.com\/duas\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.fotoplus.com\/duas\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=530"}],"version-history":[{"count":24,"href":"https:\/\/www.fotoplus.com\/duas\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/530\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":564,"href":"https:\/\/www.fotoplus.com\/duas\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/530\/revisions\/564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.fotoplus.com\/duas\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.fotoplus.com\/duas\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.fotoplus.com\/duas\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}