{"id":527,"date":"2025-01-04T03:39:01","date_gmt":"2025-01-04T03:39:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.fotoplus.com\/idart50\/?p=527"},"modified":"2025-01-13T07:10:13","modified_gmt":"2025-01-13T07:10:13","slug":"galeria-artigo-o-vigia-da-memoria-boris-kossoy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.fotoplus.com\/idart50\/?p=527","title":{"rendered":"Galeria: artigo \u201cO vigia da mem\u00f3ria\u201d &#8211; Boris Kossoy"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\">BARROS, Luciana Cristina. O vigia da mem\u00f3ria. <br><em>Folha de S. Paulo<\/em>, site, 01.10.1995, Revista da Folha, n.p.<br>(texto integral)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O vigia da mem\u00f3ria<\/strong><br>Luciana Cristina de Barros (entrevista com Boris Kossoy)<\/p>\n\n\n\n<p>Boris Kossoy, 54, \u00e9 professor, fot\u00f3grafo e pesquisador, entre outros t\u00edtulos. Dedica-se \u00e0 hist\u00f3ria da fotografia no Brasil, entre outras hist\u00f3rias. Escreveu -entre outros livros- &#8220;Hercules Florence 1833: a Descoberta Isolada da Fotografia no Brasil&#8221; e &#8220;O Olhar Europeu&#8221;, junto com sua mulher, Maria Luiza Tucci Carneiro, lan\u00e7ado no ano passado e ganhador do pr\u00eamio Jabuti. Kossoy dirige a Divis\u00e3o de Pesquisa do Centro Cultural S\u00e3o Paulo, que acaba de inaugurar a nova sede do arquivo Multimeios. Criado em 1975 como parte do extinto Idart (Departamento de Informa\u00e7\u00e3o e Documenta\u00e7\u00e3o Art\u00edsticas), o acervo ganhou espa\u00e7o adequado para seus 600 mil documentos. S\u00e3o 20 anos de arte e cultura da cidade, divididos em artes c\u00eanicas, gr\u00e1ficas, pl\u00e1sticas, arquitetura, cinema, comunica\u00e7\u00e3o de massa, fotografia, literatura e m\u00fasica. Kossoy implantou tamb\u00e9m a \u00e1rea de pesquisa hist\u00f3rica. &#8220;N\u00e3o se pode compreender o processo art\u00edstico e cultural se n\u00e3o se compreende o processo hist\u00f3rico de um pa\u00eds.&#8221; L.C.B.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Brasil continua desmemoriado?<\/strong><br>Acho que sim. O que nos falta s\u00e3o refer\u00eancias constantes. Daqui a tr\u00eas anos, poucas pessoas v\u00e3o se lembrar da recente batalha campal entre torcedores de futebol. Na base de tudo, existe algo que se chama educa\u00e7\u00e3o e cultura, como primeira prioridade. A hist\u00f3ria, como m\u00e3e da ci\u00eancia, nos ensina o passado do homem e nos d\u00e1 esclarecimentos do que somos como decorr\u00eancia do passado.<br><br><strong>Como surgiu o projeto do arquivo?<\/strong><br>A preserva\u00e7\u00e3o de documentos \u00e9 uma quest\u00e3o brasileira que, nos \u00faltimos anos, vem acontecendo. Como historiador, jamais pude imaginar que uma documenta\u00e7\u00e3o do porte e da import\u00e2ncia da reunida no arquivo Multimeios n\u00e3o estivesse preservada. Ao ser convidado para dirigir a divis\u00e3o de pesquisas resolvi levar adiante esta tarefa b\u00e1sica.<br><br><strong>As obras consumiram muito tempo?<\/strong><br>A constru\u00e7\u00e3o de arquivos apropriados para a conserva\u00e7\u00e3o de documentos n\u00e3o \u00e9 uma tarefa fora do comum. As obras come\u00e7aram no final de junho e dia 19 de setembro o arquivo foi inaugurado. A partir de agora, essa documenta\u00e7\u00e3o passa a ter condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas de preserva\u00e7\u00e3o.<br><br><strong>Qual a hist\u00f3ria do arquivo?<\/strong><br>Quando o Idart foi fundado, em 1975, fazia parte dele o Centro de Pesquisas de Arte Brasileira Contempor\u00e2nea. Em 1982, com a cria\u00e7\u00e3o do Centro Cultural S\u00e3o Paulo, aquele centro de pesquisas foi incorporado a ele, transformando-se em Divis\u00e3o de Pesquisas. Na verdade, o que a gente faz aqui \u00e9 justamente pesquisa sobre a arte contempor\u00e2nea brasileira, mas o nosso cen\u00e1rio \u00e9 a cidade.<br>Quais as principais caracter\u00edsticas da divis\u00e3o que o sr. dirige e do arquivo?<br>Primeiro: aqui n\u00e3o se recebe documenta\u00e7\u00e3o. A pesquisa \u00e9 feita e os documentos s\u00e3o gerados por equipes da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o, a partir de uma reflex\u00e3o nossa. Somos cerca de 60 pesquisadores com forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria espec\u00edfica nas \u00e1reas. Segundo: o material \u00e9 preservado por essa mesma institui\u00e7\u00e3o.<br><br><strong>Quais os m\u00e9todos de conserva\u00e7\u00e3o?<\/strong><br>Diferentes tipos de suporte re\u00fanem as informa\u00e7\u00f5es arquivadas: fotogr\u00e1ficos, f\u00edlmicos, sonoros, gr\u00e1ficos e v\u00eddeos. Cerca de 70% t\u00eam base fotogr\u00e1fica. E existem condi\u00e7\u00f5es museol\u00f3gicas aprovadas pelas institui\u00e7\u00f5es internacionais como par\u00e2metros para conserva\u00e7\u00e3o. Umidade do ar, temperatura e polui\u00e7\u00e3o t\u00eam que ser controladas. O equipamento planejado para c\u00e1 oferece condi\u00e7\u00f5es perfeitas de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quanta informa\u00e7\u00e3o nova o espa\u00e7o projetado tem condi\u00e7\u00e3o de receber?<\/strong><br>\u00c9 coisa para muitos anos, principalmente se pensarmos do ponto de vista da inform\u00e1tica. Com o computador e o scanner voc\u00ea pode ter uma quantidade enorme de informa\u00e7\u00f5es em disco, que antes exigiriam enormes arm\u00e1rios. O espa\u00e7o necess\u00e1rio ser\u00e1 cada vez menor, se bem que tamb\u00e9m preservamos o documento original, a fonte prim\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Em que passo est\u00e1 a informatiza\u00e7\u00e3o?<\/strong><br>O arquivo Multimeios j\u00e1 conta com computador pr\u00f3prio, al\u00e9m das m\u00e1quinas do Centro Cultural. Primeiro, fizemos um levantamento indicativo do acervo, que ser\u00e1 publicado em dois meses. \u00c9 o invent\u00e1rio documental do acervo, que dever\u00e1 ser anualmente atualizado. Na sequ\u00eancia, trataremos da transfus\u00e3o e difus\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es via banco de dados. A id\u00e9ia \u00e9 informatizar at\u00e9 a consulta, para que num momento em que o consulente n\u00e3o precise ver o original, ele tenha na tela do computador as condi\u00e7\u00f5es de saber o que est\u00e1 l\u00e1 e tenha a refer\u00eancia visual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quem pode consultar o arquivo?<\/strong><br>Qualquer pessoa. Mas \u00e9 prefer\u00edvel dar antes um telefonema, porque n\u00e3o funcionamos como biblioteca: nosso atendimento \u00e9 personalizado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais s\u00e3o as partes que comp\u00f5em a nova sede do arquivo?<\/strong><br>H\u00e1 uma c\u00e2mara climatizada onde fica a documenta\u00e7\u00e3o e tr\u00eas salas de apoio, que tamb\u00e9m t\u00eam as condi\u00e7\u00f5es adequadas de preserva\u00e7\u00e3o: sala de som, de microfilme e laborat\u00f3rio fotogr\u00e1fico. A primeira \u00e9 onde as fitas do acervo podem ser reproduzidas. Na sala de microfilme, guardamos principalmente a documenta\u00e7\u00e3o de imprensa. Os microfilmes j\u00e1 formam uma documenta\u00e7\u00e3o selecionada do que sai diariamente na imprensa sobre determinada \u00e1rea de arte ou cultura, que a pessoa pode consultar. O laborat\u00f3rio foi pensado para que os negativos do nosso material n\u00e3o saiam -como at\u00e9 ent\u00e3o sa\u00edam- da institui\u00e7\u00e3o para serem copiados em outro lugar, o que n\u00e3o se concebe.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O arquivo est\u00e1 ligado a institui\u00e7\u00f5es estrangeiras semelhantes?<br><\/strong>N\u00e3o h\u00e1 liga\u00e7\u00e3o formal, mas universidades como a Sorbonne e a da Calif\u00f3rnia t\u00eam perfeito conhecimento do material que existe aqui. Frequentemente recebemos consultas. Queremos difundir o mais poss\u00edvel o que existe no arquivo. Quando entrarmos na Internet -estamos a ponto de- essa meta ser\u00e1 facilitada.<br><br><strong>Que outras atividades a Divis\u00e3o de Pesquisas desenvolve?<\/strong><br>Nesse momento em que se aproxima o fim do s\u00e9culo e em que o Idart comemora 20 anos, as equipes de pesquisa est\u00e3o envolvidas numa cronologia extensiva, de 75 a 95, cobrindo todas as nossas \u00e1reas. Pretendemos publicar essas cronologias. Essa s\u00e9rie faz parte do grande projeto interdisciplinar chamado &#8220;<strong>Refer\u00eancias<\/strong>&#8220;e refer\u00eancias \u00e9 do que o Brasil mais precisa. Al\u00e9m disso, estamos trabalhando num banco de dados sobre cinema; na \u00e1rea de arquitetura est\u00e1 correndo um projeto de depoimentos dos grandes nomes do Brasil; em literatura recolhemos depoimentos dos principais produtores e escritores.<br><br><strong>Quais s\u00e3o seus objetivos agora?<\/strong><br>A conclus\u00e3o do projeto &#8220;Refer\u00eancias, com a publica\u00e7\u00e3o das cronologias, \u00e9 uma das metas. A informatiza\u00e7\u00e3o total de anu\u00e1rios e pesquisas \u00e9 outra -mas precisamos conseguir mais computadores.<br><br><strong>Por que voc\u00ea instituiu uma nova \u00e1rea no arquivo, a de pesquisa hist\u00f3rica?<\/strong><br>A hist\u00f3ria fotogr\u00e1fica de um pa\u00eds est\u00e1 vinculada ao processo hist\u00f3rico. Muitas vezes se tem a id\u00e9ia de que a imagem reflete um fragmento de mundo. Mas o importante \u00e9 saber o que est\u00e1 al\u00e9m do fragmento, o antes e o depois, para compreender a foto. Isso se passa em todas as manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas. Mas o problema maior com a imagem \u00e9 que ela nos fascina e pensamos que ela expressa a realidade. Mas a hist\u00f3ria mostra que a imagem \u00e9 fruto de uma sucess\u00e3o intermin\u00e1vel de montagens t\u00e9cnicas, est\u00e9ticas e ideol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Fonte:<br>BARROS, Luciana Cristina. O vigia da mem\u00f3ria. <em>Folha de<\/em> <em>S. Paulo<\/em>, site, 01.10.1995, Revista da Folha, n.p. (acesso em: 04.01.2025) <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/1995\/10\/01\/revista_da_folha\/11.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/1995\/10\/01\/revista_da_folha\/11.html<\/a> <br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BARROS, Luciana Cristina. O vigia da mem\u00f3ria. Folha de S. 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